quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Obrigada.

Arte: Mariana Fiore
Eu o amei assim que soube que ele não era perfeito. Mas uma coisa que os outros casais não tinham em comum, nós tínhamos: uma repulsa iminente às bebidas do Starbucks. Nada une mais duas pessoas do que um desafeto em comum.

Aos poucos, eu fui descobrindo dentro dele uma beleza jamais vista. Eu descobri, por exemplo, que o homem que ia zelar pela minha vida usava uma bermuda rasgada, velha e toda desbotada. No começo assusta um pouco, né? Tipo, quem vai cuidar dos outros se não pode cuidar nem das suas próprias calças? Mas foi justamente olhando pra aquelas calças que eu entendi que a beleza vem de dentro da gente e não da roupa ou da forma com a gente se veste e que o que a gente sente tem mais valor do que qualquer aparência.

Eu descobri com ele que nossos olhos podem mudar de cor dependendo do nosso estado de espírito. Por exemplo, quando ele acordava longe de mim os olhos dele eram castanhos, normais, porque eu não podia vê-los, mas quando acordávamos no campo, um ao lado do outro, depois de termos dividido a mesma cama, os olhos dele eram tão verdes que quase ofuscavam o brilho do sol.

Com ele eu aprendi a ver os dois lados da moeda e, mais que vê-los, aceitá-los. Aprendi também que pra cada tristeza, existe também uma alegria.

Com ele eu aprendi que a esperança é a última que morre, ou melhor, é a única que não morre e que mesmo nas dificuldades, somos para ela a respiração por aparelhos e nós não podemos falhar.

Com ele eu aprendi que o desejo de superar a dor causada precisar ser maior que a dor sentida e que enquanto existe um amanhã pra recomeçar, é a gente quem faz a nossa própria aurora.


Com ele eu aprendi que sem ele eu não sou nada.