quinta-feira, 21 de novembro de 2013

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Revê-lo é muito bom e é uma merda. É uma merda porque é muito bom

Você pode até congelar o que eu sinto, mas não a minha presença

Vai

Se for pra ir embora, vai.

Eu me viro com a dor, juro!

Eu aguento a ressaca emocional e os olhos cansados de chorar no dia seguinte, mas me prometa que vai. 

Vai de uma vez e não fica olhando pra trás, olhando pra mim com esses olhos de quem quer me congelar.

Eu já entendi que você não me ama, só peço que deixe que eu ame outro, ou melhor, deixe outro me amar.

Vai na fé, na coragem (se é que tem disso em você), vai como se você fosse homem e não "tipo homem".

Vai. 

Não precisa ficar porque eu pedi.

Não precisa se preocupar com o que eu vou comer amanhã porque já inventaram a comida congelada e o micro-ondas.

Vai porque essa é a melhor coisa que você pode fazer por mim.

Depois de todo esse tempo que perdemos aqui e não encontramos respostas para os nossos porquês, é melhor você ir.

Vai porque orgulho é óleo e água é amor. Não dá pra misturar as duas coisas e você sabe muito bem disso.


Por favor, dessa vez, vai você, porque quando eu tentei ir fracassei.



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Existem aqueles que são homens e aqueles que são tipo homens

Choro mesmo

Divulgação
Eu preciso falar uma coisa (mas ai eu acho que é meio pesado): eu choro por homem!

Puta merda! Quando a enxurrada transborda os olhos, não existe assessoria de amiga que dê jeito. 

"Deixa eu chorar, merda! Tá doendo". Exclamo sempre que a saudade daquele abraço me aperta mais que o abraço em si.

E eu juro que ainda não entendi porque reprimem meu choro. Uma vez um amigo me disse que a mulher quando chora fica linda. Fica igualzinha quando faz amor. Isso deve ser um bom sinal.

Chorar é cuspir a dor pelos olhos. Expulsar o aperto do peito com a boca. Maldizer e abençoar o amor. É exteriorizar toda aquela mágoa contida no âmago.

Chorar é se livrar do monstro que você mesmo criou. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Sentimentos não servem para nada quando o ego fala

Você que nem eu sei quem sou

Ilustração Mariana Fiore (https://www.facebook.com/ArtworkFiore)
E você que nunca esteve aqui, nunca esteve aí pra mim. É, você que tem cheiro de menta, pipoca e chuva. Você que acorda cedo, dorme tarde e não atende às minhas solicitações. Você que nunca desejou bom dia e às vezes nem respondeu ao porteiro do prédio. Você que nunca caiu no meu encanto e foi o desencanto da minha vida. Você que nunca me viu, nunca me leu, nunca sequer me ouviu gritar. Você que, sem saber, levou o pedacinho mais colorido de mim e me deixou no breu, que me lembra os seus cabelos negros, lisos e com um corte horroroso.

Você que sorri e some, você que some e  volta, você que some mas não some e me irrita de tal forma que eu não consigo controlar e esconder a minha insatisfação. Você que não tem profundidade alguma, que é vazio do sentimento mais bonito que o ser humano tem o privilégio de desfrutar. Você que quer, mas não aceita. Você que sabe, mas não fala. Você que cala, consente e mente pra você mesmo. Você que não sente, mas enlouquece com a dúvida. Você que não encontra saída, porque perdeu a entrada, o retorno, o contorno dos lábios e as formas do corpo. Você que é copo cheio e vazio. É o oposto, o aposto, a regra mais difícil de classificar em gênero gramatical. O verbo conjugado por mim, por ela, por ele, por eles. A carne mais fraca, mais gorda, mais saborosa. 


Você que é mar, é rio, é água salgada e doce. Você que é onda de praia grande. É areia, é folha, é mato. É inseto asqueroso. É bicho medonho que menininha foge. Você que é pai, mãe e sobrinho. Você que tem gosto de desgosto, fel, lágrima, dúvida, incerteza e todos os medos experimentados por mim. Você que nem eu sei quem sou.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Você sabe quando um cara tá apaixonado por você só pelo jeito que ele te olha. Mas, infelizmente, nesse aspecto os homens são muito diferentes das mulheres. Só estar apaixonado não basta pra querer assumir um relacionamento. Parece que eles precisam perder a gente antes de ganhar.

Ilustração Mariana Fiore (https://www.facebook.com/ArtworkFiore)

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Bom mesmo é sair de um lugar, de uma reunião ou de um relacionamento de alma lavada.
Bom mesmo é saber que as suas ações caminham para o bem maior dos envolvidos na situação.
 Bom mesmo é quando a sua razão e o seu coração estão em sintonia, para mais tarde estarem em festa.
 Bom mesmo é quando você se encontra e outro alguém também te encontra.

Foto: Mariana Fiore (https://www.facebook.com/ArtworkFiore)

Você pode amar uma pessoa mais que tudo na sua vida, mas isso não vai valer de nada se você não demonstrar


Ilustração: Mariana Fiore (https://www.facebook.com/ArtworkFiore)

Ilustração: Mariana Fiore (https://www.facebook.com/ArtworkFiore)
Deixando o passado passar a gente começa a enxergar o presente de uma forma diferente. E ele (o passado) fica lá, quietinho, imóvel, no lugar dele. Às vezes a gente perde o controle da situação e acaba deixando que as lembranças venham atormentar.

Eu gosto do sabor de futuro que a incerteza me proporciona. Coisas incertas dão aquela sensação de frio na barriga, sabe? Quando o carrinho desliza os trilhos da montanha russa e aquele gelo é considerado a melhor parte da viagem...

Eu gosto de quando a gente pisa em território estrangeiro e tem aquela sensação de liberdade e de que coisas incríveis vão acontecer. Tipo quando a gente dá de cara com o David Grhol ao desembarcar no aeroporto do Chile, sabe?

O sabor da imprevisão.

Se pudéssemos prever tudo o que acontece estou certa de que haveria menos dor. Pensaríamos duas vezes antes de fazer, falar ou pensar alguma coisa. Mas perderíamos a melhor parte da vida. Perderíamos a chance de sermos surpreendidos. E acho que ninguém veio ao mundo pra perder nada, embora haja tanta perda de vida.

Eu acredito que o que a gente sente tem muito valor e que às vezes quebramos a cara errando em coisas pequenas, em bobagens que poderíamos ter evitado. Sem saber que não é preciso errar pra aprender. Colocaram na cabeça da gente que isso é regra, quando na verdade é um álibi pra diminuir a nossa culpa.
Erro é erro e acerto é acerto. A linha que separa o certo do errado não é nem um pouco tênue, sabe? É muito fácil distinguir o bem do mal, então não me diga que você não fez o mal por mal, que foi "sem querer". Assuma a responsabilidade pelos erros que cometeu e, se isso trouxe alguma lição, ótimo! Aproveite! Mas que isso não seja uma regra pra sair por aí machucando os outros ou machucando a si. Esqueça essa ideia de que errar é necessário, porque não é.


Enquanto a gente tenta consertar o que quebrou, tentando justificar as coisas ruins com o "bem do nosso erro", existe alguma coisa muito inteira ao nosso dispor, ao alcance dos nossos dedos. Não é preciso ver, mas é preciso sentir e o melhor dos sentimentos é o ato de acreditar. Acreditar que o passado passou e que o presente é a parte mais importante do seu futuro.

Ah o abraço!

Poucas coisas no mundo funcionam melhor que um abraço.
 
Ilustração: Mariana Fiore (https://www.facebook.com/ArtworkFiore)
Observem, parece que dentro de um abraço cabe um mundo inteiro. O abraço serve para as horas boas na mesma proporção que serve para as horas ruins. Abraçar é dividir a alegria e balancear a dor (vem aqui, me dá um pouquinho da sua dor que eu seguro).

Abraço é sustento, é alicerce. Abraça porque passou no vestibular e porque não passou também. Abraça porque um filho nasceu e porque alguém morreu. Abraça porque precisa perdoar e ser perdoado. Abraça porque o abraço é o motivo da alegria, a peneira que tapa o sol da dor.

É muito difícil ver alguém se abraçar por educação. Abraça-se porque precisa dividir algo, é um dos gestos mais sutis, delicados e verdadeiros que o ser humano carrega consigo e a mais versátil obra de Deus.
Ilustração: Mariana Fiore (https://www.facebook.com/ArtworkFiore)
Tantos outros sorrisos já chegaram e já foram embora e o dele parece ter sido cultivado em uma redoma intocável. Ele continua aqui no mais profundo de mim, se confundindo com o meu próprio eu e me confundindo tanto a ponto de odiar essa lembrança.

Eu escolhi que aquele fosse o último abraço, mas talvez não tenha o poder de decidir que aquele tenha sido o último sorriso.

Eu nem sei quem ele é agora, o que ele faz da vida ou se ainda gosta de comer pão com ovo gourmet. Eu só sei que os seus olhos, às vezes verdes, se fecham quase que completamente quando ele sorri e eu ainda posso contar todos os dentes da sua boca amarelados pelo efeito do café.

Quando o vi no meu portão, mais magro do que o de costume, a minha vontade foi de embalá-lo no colo e dizer “entra, tem carne de panela, batata e purê. Acabei de fazer”, mas meu pensamento foi interceptado por uma ligação inesperada por mim e desagradável pra ele. Claro que a minha vontade era de corresponder ao seu beijo, de abraçá-lo também e dizer “sim, eu ainda sinto a sua falta”, mas fui conduzida pela urgência da paz e, pela primeira vez na vida, ouvi a voz da razão. Não troquei o antídoto que tem me curado do vazio que ele deixou pelo efeito anestésico da sua presença.

Entre amá-lo e odiá-lo, eu prefiro acreditar que a nossa história já teve seu tempo e que agora tudo o que tem que ficar são as lembranças: as boas e as ruins também, porque fizeram parte dessa escola chamada “relacionamento”. 

Eu não vou mentir ser a dama de ferro, nem fingir que eu sou o homem de lata, que não tenho coração e que o que eu sentia por ele acabou do dia pra noite, mas é verdade que eu encontrei outro sorriso capaz de curar o desconforto que o sorriso dele ainda me causa, e esse novo sorriso também me deixa contar os dentes que ele tem na boca e confesso que os olhos dele se fecham completamente quando ele sorri. Ele não é quase, ele tem sido todo e tudo o que eu precisava pra acreditar que eu poderia me sentir feliz e que não me falta mais o pedacinho mais bonito de mim.

Em uma de nossas últimas conversas, ele me disse que era preciso caminhar, então eu procurei correr.  Tenho me cobrado muito com relação a isso, sempre penso que estou correndo demais, mas, por outro lado, a minha felicidade me diz que ela não pode mais esperar e que de nada adianta se preocupar com aquilo que poderia ter sido e não foi. Toda hora meu peito suplica por um pouco de paz e a minha alma pede arrego. Toda hora o meu peito pede urgência e me diz que o ontem foi lição e que o faz as coisas darem certo lá na frente é o que a gente faz agora. 


O amor está bravo comigo. Avisou que está chegando com os dois pés na porta e eu já posso sentir a sua fúria.  

Lições pra toda vida

Sentou-se mais uma vez na calçada, enquanto aguardava a chuva passar. Usava uma calça jeans azul e uma blusa de touca. Não se sentira tão sozinha desde a época da escolinha, quando seu pai esqueceu-se de buscá-la por conta de uma partida de futebol.

Como num arroubo, encheu-se de vazios oportunos e tristezas remotas. Meras lembranças de julhos passados. Intrépida, desceu os degraus à sua frente sem se importar com os pingos grossos e gelados, era necessário agir antes que os pensamentos tomassem conta da esperança que lhe restava. Entendeu que apesar da tristeza, era necessário sentir-se viva.

No caminho de casa, nada surreal, impactante ou comovente, nada além de um caminho: a rua, a calçada, os ônibus, carros e algumas pessoas que por ali passavam correndo para fugir da chuva. Aliás, nada parecia surpreendê-la. Andou por vinte minutos, a fim de chegar no acalento da sua casa, acompanhada de um banho quente, chá e cama, sem revolver os pensamentos que há pouco lhe tinham tomado.

Entrou pelas portas dos fundos, não queria incomodar. O cachorro não latia e seus pais já encontravam-se no descanso de seus aposentos. Seu tênis sujo denunciava o desmazelo com que resolveu tratar a vida.

Enquanto a água do chá fervia, enchia-se de espuma no banho e entoava suavemente um canto de paz. Lembrou-se de que depois de ter sido esquecida quando criança, seu pai não tivera coragem de repetir a dose. E a partir dali lembrava-se dela em cada momento do dia, sufocava a garota de amor e de afeto.


Durante o banho, lembrou-se também que era necessário lavar a alma para entender que para cada uma de suas tristezas, havia também uma alegria.