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| Ilustração: Mariana Fiore (https://www.facebook.com/ArtworkFiore) |
Deixando o passado passar a
gente começa a enxergar o presente de uma forma diferente. E ele (o passado)
fica lá, quietinho, imóvel, no lugar dele. Às vezes a gente perde o controle da
situação e acaba deixando que as lembranças venham atormentar.
Eu gosto do sabor de futuro
que a incerteza me proporciona. Coisas incertas dão aquela sensação de frio na
barriga, sabe? Quando o carrinho desliza os trilhos da montanha russa e aquele
gelo é considerado a melhor parte da viagem...
Eu gosto de quando a gente
pisa em território estrangeiro e tem aquela sensação de liberdade e de que
coisas incríveis vão acontecer. Tipo quando a gente dá de cara com o David
Grhol ao desembarcar no aeroporto do Chile, sabe?
O sabor da imprevisão.
Se pudéssemos prever tudo o
que acontece estou certa de que haveria menos dor. Pensaríamos duas vezes antes
de fazer, falar ou pensar alguma coisa. Mas perderíamos a melhor parte da vida.
Perderíamos a chance de sermos surpreendidos. E acho que ninguém veio ao mundo
pra perder nada, embora haja tanta perda de vida.
Eu acredito que o que a
gente sente tem muito valor e que às vezes quebramos a cara errando em coisas
pequenas, em bobagens que poderíamos ter evitado. Sem saber que não é preciso
errar pra aprender. Colocaram na cabeça da gente que isso é regra, quando na
verdade é um álibi pra diminuir a nossa culpa.
Erro é erro e acerto é
acerto. A linha que separa o certo do errado não é nem um pouco tênue, sabe? É
muito fácil distinguir o bem do mal, então não me diga que você não fez o mal
por mal, que foi "sem querer". Assuma a responsabilidade pelos erros
que cometeu e, se isso trouxe alguma lição, ótimo! Aproveite! Mas que isso não
seja uma regra pra sair por aí machucando os outros ou machucando a si. Esqueça
essa ideia de que errar é necessário, porque não é.
Enquanto a gente tenta
consertar o que quebrou, tentando justificar as coisas ruins com o "bem do
nosso erro", existe alguma coisa muito inteira ao nosso dispor, ao alcance
dos nossos dedos. Não é preciso ver, mas é preciso sentir e o melhor dos
sentimentos é o ato de acreditar. Acreditar que o passado passou e que o
presente é a parte mais importante do seu futuro.

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